A Doutrina que Revela a Riqueza do Evangelho

Como a explicação das boas-novas revela a riqueza da mensagem e conduz à adoração
Doutrina significa ensinar, explicar, esclarecer. A doutrina faz parte do evangelho porque as boas-novas não podem ser apenas proclamadas pela boca de um arauto — elas precisam ser compreendidas na mente do ouvinte. Se o arauto da cidade anunciar:
— Por meio deste documento, é publicada a anistia pela misericórdia de seu Soberano.
Alguém perguntará:
— O que significa anistia?
Haverá muitas perguntas quando a notícia for anunciada. “Qual foi o preço pago?” “Como desonramos o Rei?”
Quando o evangelho é proclamado, ele precisa ser explicado. E se o locutor do rádio usasse terminologia técnica da qual alguns dos prisioneiros não fossem capazes de entender? Alguém precisaria explicá-lo. Boas-novas ininteligíveis não são novas, nem sequer boas.
A doutrina do evangelho importa porque as boas-novas são tão plenas, ricas e maravilhosas que precisam ser abertas como um baú de tesouros, e todas as suas preciosidades trazidas à luz para o deleite do mundo.
A doutrina é a descrição desses tesouros. A doutrina descreve o seu verdadeiro valor e por que são tão valiosos. A doutrina protege os diamantes do evangelho para que não sejam descartados como meros cristais. A doutrina protege os tesouros do evangelho dos piratas que não gostam dos diamantes, mas ganham a vida negociando-os por outras pedras. A doutrina lustra as joias antigas enterradas no fundo do baú.
Ela organiza as joias da verdade do evangelho sobre o tapete vermelho da história, para que cada qual seja vista no lugar em que mais resplandece. E, durante tudo isso, a doutrina o faz de cabeça curvada, maravilhada por lhe ter sido permitido tocar as coisas de Deus. Ela sussurra em louvor e gratidão enquanto lida com os diamantes do Rei. Seus dedos tremem diante do valor do que manuseia.
Orações se elevam em busca de ajuda, para que nenhuma pedra seja minimizada ou mal colocada. E, de joelhos, a doutrina do evangelho sabe que serve ao arauto. O evangelho não se trata principalmente de ser explicado. A explicação é necessária, mas não é primordial.
Uma carta de amor precisa ser inteligível, mas a gramática e a lógica não são o centro. O amor é o centro. O evangelho são boas-novas. A doutrina serve a isso.
Ela serve àquele cujos pés estão feridos (e são belos!) por caminhar até lugares não alcançados levando a notícia: “Venham, ouçam as novas de Deus! Ouçam o que Deus fez! Ouçam! Entendam! Curvem-se! Creiam!”
— Deus é o Evangelho: Meditações sobre o amor de Deus como o dom de si mesmo, John Piper
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