Romanos 13 proíbe toda desobediência civil?

Pastor John Piper, as fortes palavras de Romanos 13:1–7 significam que a desobediência civil é sempre errada para um cristão?

Especialmente nos versículos iniciais, Romanos 13 não excluem qualquer forma de desobediência civil. Parece que sim, e reconheço que essa é uma importante questão exegética. Por isso, vamos começar lendo o próprio texto:

“Que todos estejam sujeitos às autoridades superiores. Porque não há autoridade que não proceda de Deus” (Romanos 13:1)

Portanto, sujeitem-se, porque as autoridades vêm de Deus

“e as autoridades que existem foram por ele instituídas. Assim, aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação” (Romanos 13:1-2).

“O governo é um grande presente em um mundo caído, restringindo o mal e trazendo algum tipo de ordem.”

Portanto, há uma declaração básica: Devemos ser submissos ao governo, porque o governo é de Deus e é um dom de Deus.

Algumas pessoa que ficam eriçadas muito rapidamente e que defendem a desobediência civil antes de pensarem melhor esquecem que governo de turba1 e anarquia são coisas horríveis.

O filme Gandhi apresenta algumas cenas onde a situação ficou fora do controle, se voltou contra um homem. Lembro-me do que terror que veio sobre mim assistindo o poder de uma multidão totalmente sem lei. Você fica completamente desamparado.

O governo é um presente de Deus em um mundo caído, restringindo o mau e trazendo algum tipo de ordem. Digo sim para o presente de Deus que é o governo em um mundo de pecado.

Mas os governos também podem ser perversos

Todos sabemos que os governos podem errar, o que faz os versos 3-4 parecerem estranhos. O regime de Stalin, Nazismo, Pol Pot e todos os tipos de ilustrações da história.

Penso que isso é uma pista do que Paulo está tramando:

“Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal” (Romanos 13:3).

Quando lemos isso, surge a questão: “Paulo, Como voce pode dizer isso? Você mesmo é lançado na prisão a cada duas semanas, e Jesus foi crucificado pelas autoridades civis.

O que você quer dizer com ‘Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal? (Romanos 13:4)’ “

ntão, Paulo diz que vocês serão aprovados se fizerem o que é bom. No versículo 4, “a autoridade é ministro de Deus para o seu bem2 . . . [e] vingador, para castigar quem pratica o mal.” (Romanos 13:4).

E esse é o argumento do porquê devemos ser submissos. E dizemos: “Bem, se o argumento é tão fraco, como se chega a essa conclusão?”

Por que Paulo enfatiza a submissão?

Penso que Paulo responderia o seguinte se ouvisse esse questionamento:

Primeiro, César vai ler isto, e quero me certificar de que as autoridades em Roma saibam que os cristãos não são anarquistas. Somos basicamente cidadãos cumpridores da lei e acreditamos que ele ocupa essa posição por causa de Deus.

Segundo, ele se dirige aos cristãos: “Não fiquem eriçados tão rapidamente, porque ser injustiçado por um governo não manda ninguém para o inferno, mas ser rebelde, bravo, amargo e vingativo manda pessoas para o inferno. Portanto, é um mal muito maior para vocês serem rebeldes do que o governo maltratá-los.

Existe lugar para a desobediência civil?

Sim.

Se você der um passo atrás em Romanos 13 e perguntar: “Há algum ato apropriado de desobediência civil?” Há.

Atos 5:29 diz: “É mais importante obedecer a Deus do que aos homens”.

Os apóstolos devem pregar, mesmo que as autoridades tenham lhes dito que não deveriam.

O mesmo princípio aparece em diversos episódios das Escrituras:

  • parteiras no Êxodo que não mataram bebês do sexo masculino. (Êxodo 1).
  • Daniel que, após promulgada a lei proibindo a oração, dobra seus joelhos em frente a uma janela e é lançado na cova dos leões (Daniel 6).
  • Sadraque, Mesaque e Abede-Nego que não se curvaram perante a grande estátua de ouro (Daniel 3).
  • Temos Mordecai, que diz a Ester:

— Você tem que ir ao encontro do Rei, pois todos iremos morrer se você não for.

— Não posso ir ao Rei. É contra a lei ir sem ter sido convidada, diz Ela

— Vamos morrer de qualquer forma

— se eu tiver de morrer por causa disso, eu morrerei.

Ela quebra a lei. O Rei misericordiosamente ergue o centro de ouro e Ester é poupada, mas ela estava disposta a quebrar a lei para o bem do seu povo.

Em todos esses casos, a obediência a Deus exigiu desobediência às autoridades humanas.

O senhorio de Cristo estabelece os limites da autoridade humana

Então, o princípio é esse:

Cidadãos para os governos, filhos para os pais, esposas para os maridos, membros da igreja para os presbíteros, todos esses são chamados a ter um espírito submisso apropriado e a seguir a liderança.

No entanto, nenhuma dessas autoridades é absoluta.

Todos tem o senhorio de Cristo reinando sob o senhorio dos outros e definindo seus limites.

Créditos

Tradutor: Tayllon Carvalho

Publicado em Inglês no site Desiring God. Traduzido e publicado com autorização (levemente editado de forma a evitar marcas de oralidade e promover fluidez textual).

Para mais episódios do Pergunte ao Pastor John Piper, acesse: Episódios

OBS.: Para saber a posição do ministério a respeito de determinado assunto, acesse: Sobre nós

  1. “governo da turba” descreve o cenário em que não existe autoridade legítima no controle e as decisões (normalmente violentas) são tomadas pelo impulso coletivo da multidão, não por lei ou processo justo; ↩︎
  2. No inglês, servo de Deus para seu bem. ↩︎
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